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Sexta-Feira, 22 de Janeiro de 2010 - 07h00
AJUDA BEM VINDA
Voluntários paulistas ajudam famílias atingidas por tornado
Marcionize Bavaresco
O pedreiro Marcelo Colombo e o ajudante geral Alex de Macedo são dois dos voluntários que estiveram em Guaraciaba (Foto: Marcionize Bavaresco)
GUARACIABA

     No ritmo das batidas dos martelos, Guaraciaba se reconstrói, tijolo a tijolo, telha por telha, impulsionados pela esperança e pela solidariedade. Às vezes as batidas dos corações soam mais alto. Depois de quatro meses da ocorrência do tornado que atingiu centenas de famílias no município, há ainda muito por fazer. Pelas estradas estreitas do interior o que se vê são obras inacabadas, muitas paradas por falta de pedreiros ou porque as famílias estão reconstruindo as residências com as próprias mãos, já que não têm recursos para contratarem profissionais. Foi com o objetivo de auxiliar na reconstrução que um grupo de voluntários, organizados pelo Projeto Esperança, de Presidente Prudente (SP), veio até a cidade e, literalmente, colocou a mão na massa.
     O grupo de 10 pessoas permaneceu no município por 12 dias e nesse período auxílio na edificação da residência de quatro famílias. Conforme o responsável pelas relações públicas do projeto, Luiz Baldez Junior, o primeiro contato com a tragédia que atingiu Guaraciaba foi por meio dos veículos de comunicação. Em novembro do ano passado ele esteve na cidade para averiguar de perto a situação e verificar quais as reais necessidades das famílias atingidas. "Na oportunidade fui informado que doações como roupas e alimentos já havia o suficiente, mas que a maior dificuldade das famílias era de mão-de-obra especializada para reerguer suas casas", explica Baldez.
      Com o objetivo de auxiliar exatamente nesse aspecto, o Projeto Esperança organizou um grupo de voluntários composto por três pedreiros, serventes e prestadores de serviços gerais. Os voluntários são das cidades de Presidente Prudente, Dracena e Tupi Paulista, no Estado de São Paulo, e também da cidade de Santa Fé, no Paraná. "Nosso objetivo era auxiliar, durante os 12 dias que ficamos na cidade, três famílias, mas graças a Deus conseguimos auxiliar quatro", conta Baldez. Na última quarta-feira os voluntários retornaram para suas cidades de origem, deixando para trás mais do que paredes rebocadas e telhados recolocados, deixaram esperança e renovaram as forças das famílias que precisam reconstruir a vida que o tornado colocou abaixo.


A família Kovaleski reside em um dos galpões da propriedade desde que o tornado destruiu a residência (Foto: Marcionize Bavaresco)
FAMÍLIA TINHA PARALISADO OBRA
      A família do agricultor Gilmar Kovaleski, 22 anos, residente na Linha Sede Flores, estava com a obra de reconstrução da residência, quase totalmente destruída pelo tornado, paralisada. Conforme o proprietário, o motivo era a falta de recursos para a contratação de mão-de-obra especializada, já que o material básico necessário foi liberado pela Defesa Civil Estadual, utilizando recursos repassados pelo Ministério da Integração Nacional. Com a ajuda dos voluntários organizados pelo Projeto Esperança, agora a obra já está adiantada.
      Desde o tornado, a família Kovaleski reside em um dos galpões da propriedade, que não foi destruído. Nesse local a esposa de Gilmar, Letícia, e as filhas Emanuele, 2 anos, e Karoline, 3, dividem espaço com os móveis e utensílio domésticos. Para ele, a ajuda dos voluntários veio em ótima hora, trazendo a esperança de que em breve a família vai poder voltar a ter uma casa digna. "A gente retomou a vida, mas aquela noite ficou marcada", conta Kovaleski relembrando os momentos de terror vividos durante a passagem do tornado. Ele lembra que quando o telhado da casa foi arrancado tentou proteger as filhas, a esposa, a mãe e um irmão com colchões, já que o vento e o granizo eram intensos.




Mão-de-obra é principal dificuldade
     A cidade de Guaraciaba recebeu pouco mais de R$ 6 milhões para a reabilitação das residências destruídas pelo tornado que atingiu localidades do interior do município em setembro do ano passado. Os recursos foram liberados pelo Ministério da Integração Nacional e repassados por meio da Defesa Civil Estadual. Segundo levantamento da prefeitura de Guaraciaba, 76 casas tiveram perdas entre 75% e 100%, o que equivale à perda praticamente total da moradia. Todos os moradores que tiveram perdas acima de 10% já receberam a autorização para retirar o material de construção a que tem direito nas lojas da cidade, no entanto, para quem precisa reconstruir totalmente a residência, a falta de mão-de-obra qualificada é um problema.
     Conforme o secretário de Administração, Tarcísio Hanauer, algumas famílias, mesmo tendo recebido o material, ainda não iniciaram a reconstrução porque não conseguem pedreiros ou porque não possuem condições financeiras de contratar os serviços. É comum ver os próprios agricultores se revezando entre as tarefas na propriedade, para retomar a produção e a reconstrução da casa. Para evitar o êxodo dessas famílias do campo, uma das exigências para o recebimento dos recursos é que a casa seja reconstruída no interior.
     Outra preocupação, especialmente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura, Agronomia de Santa Catarina (Crea/SC), é com a segurança das novas moradias, já que no geral elas não são construídas com base em projetos. Hanauer explica que os profissionais credenciados ao Crea de São Miguel do Oeste chegaram a elaborar um projeto padrão, cedido para as famílias interessadas, no entanto, como foi elaborado com laje, para que a cobertura ficasse mais segura, os recursos repassados foram insuficientes. Dessa forma o projeto não foi utilizado pelos agricultores e outra medida está sendo tomada. Engenheiros e arquitetos voluntários estão percorrendo o interior do município para repassar orientações aos pedreiros que estão executando as obras, além de ter sido elaborada uma lista de recomendações básicas para garantir a segurança mínima das estruturas.



SAIBA MAIS SOBRE O PROJETO ESPERANÇA
     O Projeto Esperança é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), com unidades em Presidente Prudente, Estado de São Paulo, Londrina e Curitiba, no Paraná. Criada há 16 anos, o objetivo da organização é atender famílias em situação de risco, como no caso de dependentes químicos e alcoólicos. Recentemente foi criado um departamento específico para atender atingidos por catástrofes, o SOS Catástrofes. O projeto Esperança já atuou, em Santa Catarina, no auxílio dos atingidos pelas enchentes em Ilhota, no final de 2008.
     "Nós convidamos todas as pessoas que tem interesse em ser voluntário de qualquer idade e profissão para que entrem em contato conosco e preencha a ficha cadastral", explica Baldez. Os voluntários podem residir em qualquer região do país. Maiores informações sobre o projeto podem ser obtidas pelo endereço eletrônico projetoesperanca1994@bol.com.br, ou no site www.projetoesperanca.com.br.



Fonte: Gazeta Online
Comentários
Postado por: Luiz Baldez Junior
01.02.2010 09h50min
Parabens pela matéria, muito bem desenvolvida e esclarecedora, capaz de apresentar e comprovar a importancia do trabalho desenvolvido pelo Projeto Esperança em Guaraciaba.
Muito obrigado !!!
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